Das raízes dos maretórios às agendas globais: biênio 2024–2025 consolida novo ciclo do Instituto Linha D’Água
- comunicacao5558
- há 3 dias
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Em um biênio marcado pela celebração de 10 anos, o Instituto Linha D’Água reorganizou sua estratégia, aprofundou o apoio aos territórios e à pesca artesanal e ampliou sua incidência nas agendas nacionais e internacionais de oceano, clima e sociobiodiversidade.

O Instituto Linha D’Água publica seu Relatório de Atividades 2024–2025 em um momento de amadurecimento, foco e renovação. Mais do que reunir resultados, o documento registra uma travessia institucional e coletiva construída ao lado de comunidades tradicionais, movimentos sociais, organizações parceiras, redes, pesquisadores e gestores públicos.
Se 2024 foi um ano de reorganização, escuta e definição de rota, 2025 marcou a consolidação dessa estratégia em projetos, articulações, políticas públicas e espaços nacionais e internacionais de decisão.
No biênio, o Linha D’Água atuou com mais de 50 entidades parceiras, apoiou 18 iniciativas, incidiu direta e indiretamente sobre mais de 30 políticas públicas e participou de 13 redes e conselhos. Foram mobilizados R$ 4,3 milhões em investimentos e captados R$ 3,1 milhões para sustentar e ampliar a atuação.
A virada dos dez anos

Em 2024, o Instituto celebrou dez anos de atuação. Esse momento não apenas marcou uma data, mas representou um ponto de inflexão: uma oportunidade para revisitar aprendizados, reconhecer desafios e reorganizar a atuação diante das urgências dos territórios costeiros e marinhos.
Esse processo deu origem a uma nova Teoria da Mudança e à estruturação do trabalho em três programas complementares: Territórios Costeiros e Marinhos, Pesca Artesanal Sustentável e Políticas Públicas do Mar.
Foi também nessa nova fase que o Instituto passou a nomear seu modo de atuação como “da raiz ao satélite”. A raiz representa os territórios e maretórios, os modos de vida, os saberes tradicionais, a pesca artesanal e as experiências de cuidado com a sociobiodiversidade. O satélite representa as redes, os governos, as políticas públicas e as arenas nacionais e internacionais de decisão.
Entre essas escalas, o Linha D’Água atua como ponte e retaguarda estratégica, conectando comunidades, movimentos sociais, ciência, filantropia e espaços de incidência.
Territórios vivos e governança comunitária

O programa Territórios Costeiros e Marinhos parte do entendimento de que conservar o sistema costeiro-marinho exige fortalecer os territórios e maretórios tradicionais como espaços vivos de direito, memória, trabalho e cuidado.
Na Ilha do Cardoso, em Cananéia (SP), a parceria entre a AMOIP e a Fundação Florestal consolidou o Núcleo Perequê como referência em gestão público-comunitária da visitação e Turismo de Base Comunitária. Entre 2024 e 2025, o Núcleo recebeu 1.512 visitantes, gerou renda e alcançou 55% de engajamento comunitário em seu modelo operacional.
Também na Ilha do Cardoso, o apoio continuado à Articulação de Povos e Comunidades Tradicionais fortaleceu capacidades políticas, organizativas e técnicas em 12 comunidades — dez caiçaras e duas indígenas —, alcançando diretamente 188 famílias.
As ações envolveram defesa da pesca tradicional, automonitoramento pesqueiro, formação de jovens, comunicação comunitária, garantia de direitos e resposta aos impactos da erosão costeira.
O biênio também incluiu o fortalecimento institucional da CONFREM, o ordenamento comunitário da visitação no Quilombo e na RESEX do Mandira e o apoio à AMEX na defesa da RESEX de Canavieiras e na proteção de defensores socioambientais.
Pesca artesanal como sistema produtivo estratégico

No programa Pesca Artesanal Sustentável, o Instituto parte da convicção de que a pesca artesanal é parte central dos sistemas alimentares, das economias da sociobiodiversidade e da permanência digna das comunidades em seus territórios.
A atuação combina fortalecimento produtivo e institucional, acesso a mercados e compras públicas e desenvolvimento de instrumentos financeiros adequados às características da atividade.
Um dos principais destaques foi a parceria com a Cooperpesca Artesanal, em Iguape (SP). O apoio reuniu reorganização operacional, aprimoramento da gestão, ampliação do capital de giro e preparação da cooperativa para um novo patamar produtivo.
No período, a Cooperpesca captou R$ 2,2 milhões por meio do Ecoforte, mobilizou R$ 600 mil com o fundo Fama Gaia Sociobioeconomia FIDC IS, alcançou R$ 880 mil em receita própria e comercializou 60 toneladas de pescado, envolvendo 130 cooperados ativos.
No litoral do Paraná, a parceria com o Olha o Peixe! contribuiu para abrir caminho à inserção do pescado artesanal nas compras públicas, incluindo a primeira entrega ao Programa Nacional de Alimentação Escolar em Pontal do Paraná.
Em Trindade, no litoral de Paraty (RJ), o apoio ao Mercado Comunitário Caiçara da ABAT fortaleceu as condições técnicas, sanitárias e organizativas necessárias à consolidação do espaço.
Outro avanço foi a estruturação do Fundo de Aportes Reembolsáveis Solidários — FARSol, criado para oferecer capital de giro compatível com os tempos da pesca artesanal. Em sua fase piloto, o fundo apoiou a Cooperpesca e o Olha o Peixe!, contribuindo para a continuidade das operações e o acesso a mercados estratégicos.
Participação social e políticas públicas do mar

O programa Políticas Públicas do Mar concentra a atuação em rede, a participação social e a incidência política do Instituto. Parte do reconhecimento de que as disputas relacionadas ao sistema costeiro-marinho não são apenas técnicas, mas profundamente políticas.
O Painel Brasileiro para o Futuro do Oceano — PainelMar — e o GT-Mar da Frente Parlamentar Ambientalista foram os principais eixos dessa atuação.
No biênio, foram registradas 112 ações de advocacy, monitorados 20 projetos legislativos e acompanhadas 26 audiências públicas no Congresso Nacional. A mobilização contribuiu para a aprovação da Lei do Mar na Câmara dos Deputados e para a defesa das praias como patrimônio público.
A atuação também envolveu pautas como Planejamento Espacial Marinho, gerenciamento costeiro, Tratado do Alto-Mar, eólicas offshore e políticas públicas para a pesca artesanal.
Ao conectar territórios, redes e espaços institucionais, o Linha D’Água contribuiu para ampliar a presença dos Povos das Águas e do Mar nos processos em que são tomadas decisões sobre o futuro do oceano.
Das águas dos territórios às agendas globais

O biênio ampliou a presença internacional do Instituto, conectando organizações e experiências territoriais às agendas globais de biodiversidade, oceano e clima.
Na COP16 da Biodiversidade, em Cali, o Linha D’Água apoiou a presença e a incidência de pescadores e pescadoras artesanais da América Latina e contribuiu para fortalecer uma abordagem de conservação baseada em direitos humanos.
Na 3ª Conferência da ONU sobre o Oceano — UNOC3, em Nice, o Instituto acompanhou uma comitiva internacional de mais de 40 lideranças da pesca artesanal e coorganizou o painel “Pesca artesanal de pequena escala: no centro da governança oceânica e segurança alimentar”.
Na COP30, em Belém, o Linha D’Água esteve presente em 43 eventos distribuídos por 12 arenas da conferência. A atuação envolveu painéis, oficinas, rodas de conversa, mobilizações sociais, eventos paralelos e articulações políticas, com o apoio de mais de 19 organizações parceiras.
Entre os marcos da conferência esteve o lançamento da Carta Aberta dos Povos do Mar e das Águas à Sociedade Brasileira e à COP30, assinada por 168 organizações e orientada pelo princípio “Nada sobre nós, sem nós”.
Crescimento com enraizamento
O Relatório de Atividades 2024–2025 mostra como uma nova estratégia institucional começou a ganhar forma nos territórios fortalecidos, nas organizações apoiadas, nos conhecimentos produzidos, nas políticas influenciadas e nas alianças construídas.
No próximo ciclo, a perspectiva é de crescimento com enraizamento: aprofundar a filantropia de retaguarda, sustentar processos duradouros e fortalecer pontes entre territórios, redes, ciência e políticas públicas. Porque transformar o futuro do oceano exige presença, confiança e compromisso com quem vive, trabalha e cuida desses territórios todos os dias.
Essa travessia continua — e ela é coletiva.
Acesse o Relatório de Atividades 2024–2025, conheça os resultados, aprendizados e histórias deste ciclo e venha construir conosco futuros mais justos, com o oceano vivo e os Povos das Águas e do Mar no centro das decisões.





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