
RELATÓRIO BIENAL
2024 | 2025
INTRODUÇÃO
O biênio 2024–2025 marcou o início de uma nova fase do Instituto Linha D’Água. Ao celebrar sua primeira década de atuação, o Instituto reorganizou sua estratégia e aprofundou seu compromisso com a justiça socioambiental no sistema costeiro-marinho brasileiro.
Ao longo do período, fortalecemos territórios e organizações comunitárias, apoiamos sistemas produtivos ligados à pesca artesanal e ampliamos nossa incidência em políticas públicas e espaços nacionais e internacionais de decisão.
Este relatório reúne os principais resultados, aprendizados e desafios dessa travessia. Um convite para conhecer as iniciativas, parcerias e articulações que ajudam a manter os Povos das Águas e do Mar no centro das agendas de oceano, sistemas alimentares e clima.
O BIÊNIO 2024 | 2025
Em 2024, o Linha D’Água celebrou dez anos de atuação e iniciou um processo de reorganização, escuta e definição de prioridades. A partir dessa trajetória, estruturou seu trabalho em três programas complementares: Territórios Costeiros e Marinhos, Pesca Artesanal Sustentável e Políticas Públicas do Mar.
Em 2025, essa estratégia passou a ganhar ainda mais forma em projetos, redes, instrumentos financeiros, mercados institucionais e espaços de incidência. Foi um período de consolidação, no qual o Instituto conectou iniciativas locais a políticas públicas e agendas nacionais e internacionais.
Saiba mais sobre algumas das nossas ações no quadro abaixo:
Dez anos de trajetória e uma estratégia mais focada
Em 2024, o Instituto Linha D’Água completou dez anos de atuação. Mais do que celebrar uma data, esse marco representou um momento de reflexão sobre os aprendizados, as alianças e os resultados construídos desde o início de suas atividades.
A experiência acumulada permitiu revisar prioridades e reorganizar a atuação institucional. O trabalho passou a ser estruturado em três programas que conectam proteção territorial, pesca artesanal sustentável e incidência em políticas públicas do mar.
A mudança inaugurou uma etapa mais focada, integrada e territorializada, fortalecendo a capacidade do Instituto de transformar experiências construídas com os parceiros em estratégias de longo prazo.
Territórios no centro, incidência em múltiplas escalas
“Da raiz ao satélite” é como o Linha D’Água passou a nomear sua forma de atuação: um movimento que parte das águas, dos territórios, dos modos de vida e dos saberes tradicionais para alcançar redes, governos e espaços de decisão.
Na raiz, estão comunidades, organizações locais, pesca artesanal, sistemas alimentares e práticas de cuidado com a sociobiodiversidade. É nos territórios que nascem as experiências concretas de conservação, resistência, soberania alimentar e adaptação climática.
O satélite representa a capacidade de conectar essas experiências a políticas públicas e agendas nacionais e internacionais. Entre a raiz e o satélite, o Instituto atua como ponte, articulando comunidades, ciência, redes, filantropia e poder público.
Direitos, governança comunitária e permanência
O programa Territórios Costeiros e Marinhos apoia a defesa e a valorização dos territórios e maretórios tradicionais, promovendo o uso sustentável, o fortalecimento comunitário e formas mais inclusivas de governança.
Na Ilha do Cardoso, o apoio à Articulação de Povos e Comunidades Tradicionais fortaleceu a organização política, os acordos de pesca, o automonitoramento pesqueiro e a resposta comunitária aos impactos da erosão costeira e da crise climática.
A parceria entre a AMOIP e a Fundação Florestal consolidou o Núcleo Perequê como referência em gestão público-comunitária. Entre 2024 e 2025, o espaço recebeu 1.512 visitantes, gerou renda para o território e alcançou 55% de engajamento comunitário em seu modelo operacional.
O programa também ampliou sua presença por meio do apoio à CONFREM, à AMEX e ao Quilombo e RESEX do Mandira, fortalecendo organizações que defendem territórios, direitos e modos de vida tradicionais.
Produção, mercados e sistemas alimentares
A pesca artesanal é parte central dos sistemas alimentares, das economias da sociobiodiversidade e da permanência das comunidades em seus territórios. Por isso, o programa combina fortalecimento produtivo, gestão institucional, acesso a mercados e instrumentos financeiros.
Na Cooperpesca Artesanal, o apoio contribuiu para reorganizar a operação, fortalecer a gestão, ampliar o capital de giro e preparar a cooperativa para um novo patamar produtivo. No período, foram comercializadas 60 toneladas de pescado, envolvendo 130 cooperados e 18 tipos de pescado.
No litoral do Paraná, o trabalho com o Olha o Peixe! abriu caminho para a primeira venda de pescado artesanal ao Programa Nacional de Alimentação Escolar em Pontal do Paraná. Em Trindade, o apoio à ABAT fortaleceu as bases técnicas, sanitárias e organizativas do Mercado Comunitário Caiçara.
O FARSol também iniciou sua fase piloto, oferecendo capital de giro solidário à Cooperpesca e ao Olha o Peixe! para contribuir com a continuidade das operações e o fornecimento a mercados institucionais.
Participação social e governança oceânica
O programa Políticas Públicas do Mar fortalece redes, espaços de participação e processos de incidência política, buscando garantir que os povos e comunidades tradicionais estejam presentes nas decisões sobre o futuro do sistema costeiro-marinho.
O PainelMar e o GT-Mar foram os principais eixos dessa atuação. No biênio, essas redes fortaleceram sua estrutura, ampliaram o diálogo entre sociedade civil e poder público e incidiram sobre agendas como Lei do Mar, PEC das Praias, Planejamento Espacial Marinho, eólicas offshore e políticas para a pesca artesanal.
Ao longo do período, foram registradas 112 ações de advocacy e monitorados 20 projetos legislativos. A mobilização em rede também contribuiu para a aprovação da Lei do Mar na Câmara dos Deputados e para a defesa das praias como patrimônio público.
Essa atuação reafirma que políticas públicas mais justas e eficazes dependem da participação de quem vive, trabalha e cuida dos territórios costeiros e marinhos.
Oceano, biodiversidade e clima com justiça social
Entre 2024 e 2025, o Linha D’Água ampliou sua presença em espaços internacionais de decisão sobre biodiversidade, oceano e clima, levando às conferências globais experiências e demandas construídas nos territórios.
Na COP16 da Biodiversidade, em Cali, o Instituto apoiou a participação de pescadores e pescadoras artesanais da América Latina e contribuiu para fortalecer uma abordagem de conservação baseada em direitos humanos.
Na UNOC3, em Nice, acompanhou uma comitiva de mais de 40 lideranças da pesca artesanal e coorganizou um painel internacional que colocou comunidades pesqueiras no centro dos debates sobre governança oceânica e segurança alimentar.
Na COP30, em Belém, o Instituto circulou por 43 eventos em 12 arenas, apoiou movimentos sociais e contribuiu para mobilizar 450 lideranças. A atuação conectou pesca artesanal, sistemas alimentares, justiça climática, direitos territoriais e governança do oceano.
CONCLUSÃO
O biênio 2024–2025 mostrou que fortalecer os territórios costeiros e marinhos exige combinar presença local, apoio continuado, produção de conhecimento, articulação em rede e incidência política.
No próximo ciclo, o Linha D’Água seguirá aprofundando o fortalecimento dos territórios e dos Povos das Águas e do Mar, a estruturação da pesca artesanal como sistema produtivo estratégico e a construção de políticas públicas mais justas e participativas.
Seguimos fortalecendo raízes, construindo pontes e ampliando horizontes. Com organizações, redes e apoiadores comprometidos com o oceano vivo e com as comunidades no centro das decisões, continuaremos transformando experiência coletiva em caminhos de futuro.
RELATÓRIO FINANCEIRO
Os recursos mobilizados ao longo de 2024 e 2025 foram fundamentais para transformar estratégia em ação, garantindo presença nos territórios, apoio a iniciativas estruturantes, articulação em rede, produção de conhecimento, comunicação e incidência política.
Mais do que financiar atividades isoladas, esses recursos ajudaram a consolidar um novo ciclo institucional. Eles sustentaram uma atuação mais focada, integrada e preparada para dar continuidade a agendas de longo prazo, fortalecendo tanto a raiz quanto o satélite.
No biênio 2024-2025, o Instituto Linha D'Água executou R$ 4,373 milhões. Desse total, R$ 2,910 milhões foram destinados à execução dos programas institucionais e às ações de desenvolvimento institucional e comunicação, enquanto R$ 1,463 milhão sustentou os custos operacionais.
A proporção entre investimento programático (67%) e estrutura operacional (33%) manteve-se praticamente estável nos dois anos - sinal de crescimento saudável: o Instituto ampliou sua atuação sem inflacionar a estrutura de sustentação.
Despesas administrativas
As despesas administrativas e institucionais (custos operacionais) do biênio somaram R$ 1,463 milhão. Esses recursos garantiram o funcionamento do Instituto e deram suporte à gestão financeira, ao acompanhamento de projetos e à coordenação programática. Mais do que custos de manutenção, foram investimentos na capacidade do Linha D’Água de sustentar uma atuação mais robusta e articulada.
2024
R$ 2.072.350,42
2025
R$ 2.301.533,99

■ CUSTOS OPERACIONAIS
■ INVESTIMENTOS EM PROJETOS
DES. INSTITUCIONAL E COM

Investimento em Projetos
No biênio 2024-2025, o Instituto investiu R$ 2,91 milhões em projetos e ações de desenvolvimento institucional e comunicação. Mais do que os totais acumulados, é o movimento entre os dois anos que revela a dinâmica estratégica do período.
Em Pesca Artesanal Sustentável, os investimentos passaram de 26% em 2024 para 37% em 2025 - o maior crescimento relativo entre os eixos. Esse avanço reflete a operacionalização do FARSol, o apoio estruturado à Cooperpesca e a abertura de mercados institucionais via compras públicas: janelas de oportunidade que exigiram concentração de recursos no momento certo.
Em Políticas Públicas do Mar, o crescimento de 25% para 31% acompanha a intensidade da presença internacional em 2025 - com a UNOC3, em Nice, e a COP30, em Belém, como marcos centrais de uma atuação que demandou mais recursos e dedicação de equipe.
Em Territórios Costeiros e Marinhos, a redução relativa de 37% para 21% não representa recuo, mas consolidação: com os ciclos de apoio à Articulação de Povos e Comunidades Tradicionais da Ilha do Cardoso em fase mais madura e foco mais específico no desenvolvimento territorial, o eixo operou com maior eficiência de recursos.
Desenvolvimento Institucional e Comunicação permaneceu estável em 11% nos dois anos, confirmando que ampliar impacto exige investimento permanente em gestão, fortalecimento institucional e produção de narrativas.
2024
R$ 2.072.350,42
2025
R$ 2.301.533,99

■ TERRITÓRIOS COSTEIROS E MARINHOS
■ PESCA ARTESANAL SUSTENTÁVEL
■ POLÍTICAS PÚBLICAS DO MAR
■ DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL E COMUNICAÇÃO

*Nota: a soma dos percentuais apresentados para 2024 não totaliza 100% em razão do arredondamento dos valores.
INICIATIVAS
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