
Fortalecimento da cadeia da pesca artesanal: apoio à gestão operacional e à sustentabilidade financeira da Cooperpesca Artesanal
Um novo marco para a Pesca Artesanal no Vale do Ribeia-SP

PESCA ARTESANAL SUSTENTÁVEL
Período:
Etapa inicial de articulação: participação no intercâmbio promovido pela MUPAAP - junho de 2023
Fase 1: Fortalecimento do capital de giro e reorganização dos fluxos operacionais da Cooperpesca - agosto de 2024 a fevereiro de 2025
Fase 2: Fortalecimento da Pesca Artesanal: Cooperpesca Rumo ao Frigorífico - abril a outubro de 2025
Fase 3: Fortalecimento da Cooperpesca Rumo ao SIF - dezembro de 2025 até o momento
Localização:
Iguape (SP).
Parceiros:
Cooperpesca Artesanal
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Um dos primeiros marcos da parceria entre o Instituto Linha D’Água e a Cooperpesca Artesanal ocorreu em junho de 2023, com o apoio à participação de 10 integrantes da cooperativa no intercâmbio promovido pela Cooperativa de Trabalho Mulheres Pescadoras, Aquicultoras e Artesãs da Prainha: Sol, Salga e Arte (MUPAAP), em Arraial do Cabo (RJ). Realizado entre os dias 14 e 17 de junho, o encontro reuniu mulheres da pesca artesanal de diferentes territórios em cursos, oficinas e rodas de conversa voltados à troca de experiências, ao fortalecimento organizativo e à valorização do trabalho de pescadoras, aquicultoras e artesãs. A iniciativa ampliou referências para a atuação produtiva e coletiva das participantes, fortaleceu vínculos entre organizações comunitárias e contribuiu para valorizar o protagonismo das mulheres na pesca artesanal.
A partir desse intercâmbio inicial, a parceria entre o Linha D’Água e a Cooperpesca evoluiu para uma cooperação mais ampla e estruturada de fortalecimento institucional, produtivo e financeiro da cooperativa. A partir de agosto de 2024, esse apoio passou a se organizar em fases complementares, voltadas à qualificação da gestão operacional, administrativa, produtiva e financeira da Cooperpesca, com foco na ampliação da capacidade de comercialização, no acesso a mercados institucionais e na preparação para um novo patamar de escala e complexidade produtiva.
A Fase 1 (agosto de 2024 a fevereiro de 2025) concentrou-se na reorganização dos fluxos operacionais e no fortalecimento das bases de funcionamento da cooperativa. Nesse período, foram desenvolvidas ferramentas de controle e gestão, como planilhas para entrada de matéria-prima, processamento e perdas, estoque de produtos acabados e controle de vendas, além da digitalização das informações de caixa, entrada e pagamento do pescado.
Um marco central dessa etapa foi a emissão do Alvará Municipal de Peixaria, que viabilizou a emissão de notas fiscais e ampliou as condições de participação em compras públicas e fornecimento a restaurantes, hospitais e outros canais. Também houve regularização de CNAE, estruturação inicial das rotinas administrativas, estudos de viabilidade econômica de produtos processados e apoio à aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e à realização de curso de manipulação e boas práticas de processamento do pescado, qualificando a equipe de filetadeiras.
A Fase 2 (abril a outubro de 2025, com desdobramentos ao longo do ano de 2025) teve como eixo central o fortalecimento da gestão institucional e financeira, assegurando melhores condições técnicas e administrativas para o funcionamento do futuro frigorífico, o primeiro voltado à pesca artesanal nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Nessa etapa, foram produzidos o Diagnóstico Situacional da Gestão Financeira, o Manual de Rotinas Administrativas e Financeiras, o Fluxo Gerencial Integrado e o Plano de Consolidação da Equipe Técnica e Operacional, organizando responsabilidades, centros de custo, fluxos de comunicação, prestação de contas e estrutura mínima de pessoal. Também foi apoiada a contratação de jovem bolsista administrativo e o aperfeiçoamento dos instrumentos de controle contábil, financeiro e de estoque, alinhados às exigências de compras públicas, órgãos de controle e programas de fomento.
Ainda na Fase 2, houve avanços decisivos para a sustentabilidade financeira da cooperativa. O Instituto Linha D’Água apoiou a articulação que resultou na captação de recursos junto ao Fundo Gaia, viabilizando capital de giro para financiar custos operacionais, compra de insumos, pagamento de diárias e organização da produção até a entrada das receitas dos contratos públicos.
Paralelamente, a parceria contribuiu para a consolidação de contratos estratégicos com Cozinhas Solidárias (PAA) e PNAE de Ilha Comprida, além de articulações com a SPDM e outros mercados institucionais. Também teve destaque a incidência junto à CONAB para atualização da tabela de preços do pescado artesanal nas compras públicas, adequando os valores às condições reais de processamento, logística e viabilidade econômica da pesca artesanal.
Em 2025, a Cooperpesca também integrou o projeto piloto do Fundo de Aportes Reembolsáveis Solidários (FARSol), iniciativa do Linha D’Água voltada ao fortalecimento do capital de giro para constituição de estoque estratégico e garantia de fornecimento regular a mercados institucionais. Mais do que um aporte financeiro, essa experiência passou a apoiar um modelo de gestão e monitoramento baseado em formação de estoque mínimo, regularização de caixa, definição de indicadores e mitigação de riscos, demonstrando que o fortalecimento da pesca artesanal exige articulação entre finanças solidárias, gestão e incidência política.
Em paralelo, avançaram ações de reorganização financeira, melhoria dos controles internos, ampliação da capacidade de prestação de contas e planejamento da expansão da infraestrutura fotovoltaica, em resposta ao aumento da demanda energética da agroindústria do pescado.
Em dezembro de 2025, a assinatura do Projeto Ecoforte (Fundação Banco do Brasil e BNDES) marcou o início da Fase 3 e também da entrada inédita da pesca artesanal extrativista, por meio da Cooperpesca, no circuito da transição agroecológica e da economia circular do sistema agroalimentar, viabilizando a implementação do primeiro frigorífico da Pesca Artesanal do Sul-Sudeste com inspeção sanitária, articulado a uma rede mista de agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais.
A terceira fase passa a responder a um novo contexto de crescimento e maior responsabilidade institucional da Cooperpesca, com foco na ampliação do volume produtivo, na reforma e certificação da unidade frigorífica e pela consolidação de sua inserção em mercados institucionais.
Nessa etapa, a parceria está orientada à consolidação institucional e à expansão estratégica da cooperativa, buscando também o fortalecimento dos quadros técnicos e gerenciais, no apoio ao capital de giro, na estruturação da comunicação institucional e comercial e na sustentação das condições necessárias para a operação do frigorífico com perspectiva de obtenção do Selo de Inspeção Federal (SIF).
A parceria já produziu resultados concretos para a Cooperpesca, com avanços na organização dos fluxos operacionais, na regularização sanitária e fiscal, na criação de ferramentas de gestão, na qualificação da equipe e na ampliação do acesso a mercados institucionais. Ao longo desse processo, a cooperativa fortaleceu sua capacidade de planejamento, comercialização e prestação de contas, criando bases mais sólidas para sustentar seu crescimento.
Mais do que apoiar a operação cotidiana da cooperativa, a parceria com a Cooperpesca demonstrou que fortalecer a pesca artesanal exige combinar organização produtiva, gestão, capital de giro, incidência política e valorização territorial. Nesse sentido, a experiência tornou-se estratégica para evidenciar que investir em cooperativas da pesca artesanal é também investir em segurança alimentar, geração de renda, permanência nos territórios e consolidação de soluções concretas para o desenvolvimento da sociobiodiversidade costeira e marinha.





