Juventudes protagonizam II Encontro CONFREM Sul e fortalecem articulação em defesa dos maretórios
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Com apoio do Instituto Linha D’Água, encontro reuniu lideranças dos três estados do Sul e do litoral sul de São Paulo para dialogar sobre direitos territoriais, educação diferenciada e fortalecimento da pesca artesanal.

O fortalecimento da pesca artesanal e das cadeias socioprodutivas das Unidades Costeiro-Marinhas esteve no centro do II Encontro CONFREM Sul, realizado nos dias 1º e 2 de agosto, no Hotel Sesc Cacupé, em Florianópolis (SC). Com apoio do Instituto Linha D’Água, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT/ICMBio) e da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé/ICMBio, o evento reuniu pescadores, pescadoras, lideranças comunitárias e integrantes da CONFREM do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e do litoral sul de São Paulo.
Um dos principais destaques desta edição foi o protagonismo das juventudes da CONFREM Sul, que assumiram a organização e a condução de diferentes momentos da programação. Para o Instituto Linha D’Água, esse envolvimento representa um passo importante para o fortalecimento institucional da CONFREM na região, ao ampliar a participação de novas lideranças, promover a troca entre gerações e favorecer a continuidade da mobilização nos territórios.
Direitos e mobilização na defesa dos maretórios

O primeiro dia foi dedicado à formação, ao diálogo e à construção coletiva de encaminhamentos. Um dos eixos discutidos foi o papel da CONFREM na defesa dos territórios e maretórios tradicionais, a partir de experiências concretas de mobilização comunitária.
Entre elas, esteve a defesa da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina. As contribuições trazidas pela Articulação da Ilha do Cardoso e por representantes de Iguape também aproximaram desafios e aprendizados de comunidades situadas no extremo sul do litoral paulista.
Os diálogos abordaram ainda a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho e os protocolos de consulta, instrumentos fundamentais para assegurar que povos e comunidades tradicionais sejam ouvidos de forma livre, prévia, informada e culturalmente adequada diante de decisões que afetem seus modos de vida e seus territórios.
A programação também apresentou a Plataforma de Territórios Tradicionais, ferramenta que permite às próprias comunidades registrar e dar visibilidade a seus territórios, histórias, formas de ocupação, demandas e ameaças.
Outro tema central foi a Escola das Marés e das Águas, iniciativa construída pela CONFREM Brasil com redes de mulheres e organizações locais dos povos e comunidades tradicionais costeiros e marinhos, em articulação com o ICMBio, a Universidade Aberta do Brasil/CAPES e universidades públicas.
A proposta busca enfrentar as barreiras históricas de acesso e permanência dessas populações na educação superior, promovendo uma formação conectada ao tempo das marés, às dinâmicas produtivas, aos modos de vida e às formas de organização dos maretórios.
Intercâmbio aproxima experiências e iniciativas dos territórios

No segundo dia, os participantes conheceram iniciativas em andamento nos territórios de Florianópolis. Pela manhã, o intercâmbio aconteceu no entreposto de pescados do bairro João Paulo, inaugurado em março de 2026 como a primeira estrutura pública municipal voltada ao recebimento, armazenamento, manuseio e venda direta da pesca artesanal local. À tarde, a programação seguiu na Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, aproximando os debates das experiências concretas de gestão territorial e organização socioprodutiva.
Ao apoiar o II Encontro CONFREM Sul, o Instituto Linha D’Água reafirma seu compromisso com o desenvolvimento institucional das organizações da pesca artesanal e com a construção coletiva de caminhos para a autonomia, a conservação e a garantia de direitos nos territórios costeiros e marinhos.





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