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26 de julho: da resistência comunitária aos novos desafios na defesa dos manguezais

  • comunicacao5558
  • 26 de jul.
  • 11 min de leitura

Nascida da mobilização de povos tradicionais, a data recupera a memória de quem enfrenta a destruição dos manguezais e alerta para ameaças que hoje combinam crise climática, violência, perda territorial e financeirização da natureza.


Povos do manguezal, do mar, dos rios e das margens apresentam um chamado coletivo pela defesa dos maretórios, pela autodeterminação das comunidades e por soluções climáticas construídas a partir dos territórios.

O 26 de julho é celebrado pelos povos e comunidades tradicionais como o Dia Internacional de Defesa do Ecossistema de Manguezais. Sua origem e seu significado vão muito além da conservação de um ambiente essencial para a biodiversidade, a regulação climática, a proteção costeira e a manutenção dos recursos pesqueiros.


Para quem vive, trabalha e constrói sua história nesses territórios, o 26 de julho é, antes de tudo, um dia de defesa dos manguezais. A escolha da palavra defesa, em vez de apenas conservação, expressa a dimensão dos desafios enfrentados.


Carcinicultura industrial, desmatamento, poluição, grandes empreendimentos, crise climática, violência e restrições ao acesso comunitário ameaçam não apenas os manguezais, mas também os direitos, os modos de vida e a permanência das comunidades em seus maretórios.

A data nasceu da luta e da articulação de pescadoras e pescadores artesanais, marisqueiras, coletoras, lideranças e organizações comunitárias que já enfrentavam, em seu cotidiano, a destruição desses ecossistemas.


Manter a palavra defesa é assumir um posicionamento: reconhecer que conservar e proteger são indispensáveis, mas insuficientes diante dos conflitos e das ameaças existentes. Os manguezais precisam ser defendidos junto com os povos e comunidades que historicamente os mantêm vivos.

 

Uma data nascida da mobilização comunitária


O 26 de julho celebra a importância dos manguezais, mas também recupera a memória dos povos que transformaram a defesa de seus territórios em uma mobilização internacional.

Em 26 de julho de 1998, na ilha de Muisne, na província equatoriana de Esmeraldas, foi realizada a primeira campanha internacional ¿Y si se acaba el manglar?” - “E se o manguezal acabar?”.


A mobilização denunciava principalmente a destruição dos manguezais pela expansão da carcinicultura industrial, voltada à criação intensiva de camarões. Naquele contexto, comunidades costeiras enfrentavam a conversão desses ecossistemas em grandes viveiros, a restrição do acesso aos territórios e a redução dos recursos necessários à pesca e à coleta artesanal.


O processo também marcou a criação da Corporación Coordinadora Nacional para la Defensa del Ecosistema Manglar (C-CONDEM), organização formada por lideranças comunitárias, pesquisadoras, pesquisadores pessoas comprometidas com a defesa dos territórios costeiros e marinhos do Equador.


Em 2015, a UNESCO estabeleceu o Dia Internacional para a Conservação do Ecossistema de Manguezais, celebrado anualmente em 26 de julho. No Brasil, a data também é amplamente conhecida como Dia Mundial de Proteção aos Manguezais. Essas denominações ressaltam dimensões fundamentais da data. O 26 de julho é um dia de conservação e proteção, mas é, principalmente, um dia de defesa, articulação e luta dos povos.


O reconhecimento internacional ampliou a conscientização sobre a importância dos manguezais. Recuperar sua origem, entretanto, ajuda a preservar algo essencial: a jornada de memória sobre as lutas que deram origem à data, de denúncia das ameaças que permanecem e de compromisso com os povos que continuam defendendo a vida nos maretórios.

 

Manguezal é território de vida


Os manguezais costumam ser apresentados a partir dos serviços ecossistêmicos que oferecem. Eles protegem as costas, abrigam a reprodução de diferentes espécies, sustentam cadeias pesqueiras, armazenam carbono e contribuem para a adaptação às mudanças climáticas.


Tudo isso é essencial. Mas não é suficiente para explicar o que o manguezal representa para as comunidades que vivem nesses territórios. Para pescadoras e pescadores artesanais, marisqueiras, catadores de caranguejos, coletoras e comunidades tradicionais, o manguezal também é alimento, renda, memória, espiritualidade, cultura, aprendizado e pertencimento.


O manifesto publicado pela Redmanglar Internacional em julho de 2026 descreve os manguezais como parte de um tecido vivo, no qual as dimensões humana, espiritual e natural não podem ser separadas. O documento utiliza a noção de maretório para expressar territórios costeiros e marinhos vividos e manejados pelos povos: espaços constituídos por relações sociais, ambientais, culturais, espirituais e econômicas.


Essa compreensão muda o ponto de partida das políticas de conservação. As comunidades deixam de ser vistas somente como beneficiárias de programas ambientais e passam a ser reconhecidas como sujeitos de direitos, produtoras de conhecimento e responsáveis por práticas que mantêm esses ecossistemas vivos.

 

Ameaças históricas permanecem


Levantamentos citados pela reportagem indicam que mais de 3.300 hectares de manguezais desapareceram ou foram convertidos entre 2014 e 2022.

A carcinicultura industrial foi uma das principais ameaças denunciadas pelas comunidades equatorianas na origem da mobilização de 1998. Décadas depois, seus impactos continuam presentes. Reportagem publicada pelo The Guardian, em junho de 2026, mostrou que comunidades do arquipélago de Jambelí, no Equador, ainda enfrentam perda de manguezais, redução das áreas de coleta e contaminação associada à produção de camarões.


Levantamentos citados pela reportagem indicam que mais de 3.300 hectares de manguezais desapareceram ou foram convertidos entre 2014 e 2022, quase metade em áreas protegidas. A destruição não ocorre apenas com a retirada direta das árvores. A construção e a ampliação de viveiros podem interromper o fluxo das marés, alterar a salinidade, secar o solo e comprometer lentamente a vegetação ainda existente.


A contaminação dos estuários e a fragilidade da fiscalização ampliam os impactos sobre peixes, moluscos, crustáceos e sobre a renda das famílias. As próprias comunidades frequentemente assumem a responsabilidade de denunciar os danos, mesmo diante do risco de intimidação ou retaliação. Ao lado da carcinicultura, permanecem ameaças como o desmatamento, a poluição, a expansão urbana, grandes obras e empreendimentos de infraestrutura, a especulação territorial e a restrição do acesso comunitário às áreas tradicionais.

 

 

A luta ganhou novas e mais complexas camadas


Regiões costeiras passaram a conviver com a expansão de redes de narcotráfico, extorsão e outras economias ilícitas.

As ameaças atuais não substituíram as anteriores: somaram-se a elas. A crise climática intensifica a erosão, a elevação do nível do mar, a alteração das chuvas e da salinidade e a ocorrência de eventos extremos. Essas transformações afetam diretamente a disponibilidade dos recursos pesqueiros, os ciclos de coleta e as condições de permanência das famílias.

Ao mesmo tempo, regiões costeiras do Equador passaram a conviver com a expansão de redes de narcotráfico, extorsão e outras economias ilícitas. Portos comerciais e pesqueiros, comunidades costeiras e rotas marítimas tornaram-se áreas de interesse para grupos criminosos.


Em 2026, uma investigação do jornal El País destacou que províncias como Manabí e Esmeraldas são exploradas por sua grande quantidade de portos pesqueiros e artesanais. A violência, antes concentrada em determinados pontos da costa, também avançou sobre novas regiões do país, acompanhada por sequestros, extorsões e disputas pelo controle de atividades econômicas e corredores logísticos.


O manifesto da Redmanglar também alerta para os efeitos da militarização e da criminalização sobre os povos do mar e do manguezal. Pescadoras e pescadores artesanais, coletoras, extrativistas e lideranças comunitárias podem ser coagidos, perseguidos, deslocados de seus territórios ou impedidos de exercer livremente suas atividades.


Essas comunidades não podem ser confundidas com as redes criminosas que atuam sobre seus territórios. Ao contrário: frequentemente são vítimas da violência, da ausência de proteção pública e das disputas pelo controle dos espaços costeiros e de suas atividades econômicas.

Defender o manguezal, nesse contexto, não significa apenas enfrentar a degradação ambiental. Significa proteger a autonomia das comunidades, a integridade das lideranças, os direitos territoriais e a possibilidade de viver e trabalhar sem submissão à violência.


É nesse sentido que a defesa dos manguezais pode se tornar uma atividade de alto risco. Quem denuncia a destruição, enfrenta interesses econômicos ou resiste à apropriação dos territórios pode colocar a própria vida em perigo.

 

A Redmanglar volta a tecer sua articulação


A Redmanglar Internacional articula atualmente organizações, comunidades e movimentos de Colômbia, Brasil, Equador, Guatemala, México e Peru.

Diante desse cenário, fortalecer a articulação entre comunidades, organizações e territórios torna-se parte fundamental da resposta. A Redmanglar Internacional articula atualmente organizações, comunidades e movimentos de Colômbia, Brasil, Equador, Guatemala, México e Peru. São povos unidos pela defesa dos manguezais, do mar, dos direitos territoriais e das formas de vida construídas nesses ambientes.


Em julho de 2026, delegadas e delegados desses seis países se reuniram no território do Gran Sinú, em Lorica, na Colômbia, durante a Assembleia da Redmanglar Internacional.

O encontro combinou articulação política, intercâmbio de experiências, formação e vivências nos territórios. Foi nesse contexto que as lideranças aprovaram o Manifesto dos Povos do Manguezal, do Mar, dos Rios e das Margens, documento que reafirma os direitos territoriais, a soberania alimentar, a justiça climática e o protagonismo das comunidades na defesa dos maretórios.


A Assembleia marcou o início de um novo ciclo de reorganização da Redmanglar Internacional. Criada no início dos anos 2000, a rede construiu uma articulação regional entre organizações comunitárias, movimentos e entidades que atuam na defesa dos manguezais e dos povos que deles dependem.


Essa nova etapa prevê a formação de comissões temáticas, atuação horizontal, autonomia das organizações de base e diálogo permanente entre os territórios. O manifesto permanece aberto à leitura, ao debate e à cocriação. O processo não se limita à retomada de uma articulação institucional. A Redmanglar reafirma o compromisso de conectar lutas, fortalecer os processos organizativos e formar novas gerações para a defesa dos territórios de vida.


O manifesto também reafirma a solidariedade com os povos que resistem em diferentes partes do planeta. A palavra da Redmanglar se conecta à Palestina, aos povos do Caribe e às comunidades costeiras da África, da Ásia e da América Latina. Essa articulação parte do entendimento de que o 26 de julho não convoca apenas à defesa dos manguezais. Convoca à defesa da vida em todas as suas formas e à solidariedade entre povos que enfrentam violência, ocupação, exploração, criminalização e perda territorial.


O Instituto Linha D’Água acompanhou o processo por meio da participação de seu coordenador executivo, Henrique Kefalás, ao lado de Carlinhos, da AMEX e da CONFREM, e de lideranças dos países participantes. O Instituto avalia formas de ampliar seu apoio à articulação, respeitando o protagonismo, a autonomia e as decisões das organizações de base.

 

Quando a “economia azul” não reconhece os territórios


Sob o discurso da chamada “economia azul”, os manguezais, os mares e os territórios comunitários passam a ser tratados principalmente como ativos econômicos, estoques de carbono ou espaços disponíveis para novos projetos.

Ao mesmo tempo que crescem as ameaças, os manguezais ganham maior destaque nas agendas climáticas, de biodiversidade e de financiamento ambiental. Sua capacidade de capturar e armazenar carbono, proteger a linha de costa e sustentar diferentes formas de vida reforça a urgência de conservar e restaurar esses ecossistemas.


Esse reconhecimento é importante. O problema começa quando, sob o discurso da chamada “economia azul”, os manguezais, os mares e os territórios comunitários passam a ser tratados principalmente como ativos econômicos, estoques de carbono ou espaços disponíveis para novos projetos.


Mecanismos financeiros não chegam a territórios neutros. Eles incidem sobre lugares marcados por relações históricas de poder, conflitos fundiários, direitos comunitários ainda não reconhecidos e desigualdades na distribuição dos recursos.


O manifesto alerta que projetos apresentados em nome da sustentabilidade podem fragmentar comunidades por meio de benefícios pontuais, decisões tomadas de fora e iniciativas que desconsideram as formas locais de organização. Enquanto isso, empresas e intermediários podem concentrar os ganhos gerados pela valorização econômica da natureza.


Isso não significa rejeitar toda forma de financiamento climático ou de valorização dos serviços ecossistêmicos. Significa estabelecer limites, salvaguardas e condições claras. Nenhuma iniciativa pode avançar sem direitos territoriais garantidos, autodeterminação, consentimento livre, prévio e informado, transparência, integridade ambiental, participação efetiva e repartição justa dos benefícios.


Os manguezais não podem ser reduzidos a créditos de carbono, ativos financeiros ou zonas de compensação. Os maretórios não são mercadorias nem zonas de sacrifício. Para os povos e comunidades tradicionais que vivem nesses espaços, eles são território, alimento, trabalho, cultura, memória, soberania e pertencimento.


Proteger os manguezais exige reconhecer e fortalecer quem historicamente os mantém vivos.

 

 

As respostas já estão nos territórios


O manifesto da Redmanglar reafirma que os povos do manguezal não apenas resistem: constroem alternativas.Em diferentes territórios, as comunidades articulam soberania alimentar, restauração socioecológica, produção de alimentos, pesca e coleta artesanal, práticas agroecológicas, organização coletiva, autonomia e cuidado.


Essas experiências são construídas a partir dos saberes ancestrais, da cocriação de conhecimentos e da capacidade das próprias comunidades de definir prioridades, manejar recursos e desenvolver respostas adequadas às realidades locais.


Durante as atividades realizadas no Gran Sinú, as delegações conheceram os Sistemas Socioecológicos Biodiversos Familiares - ABIF, impulsionados pela Asociación de Productores para el Desarrollo Comunitario de la Ciénaga Grande del Bajo Sinú - ASPROCIG.


Esses sistemas articulam soberania alimentar, diversidade produtiva, recuperação ambiental, autonomia das famílias e reconstrução dos vínculos comunitários. Na prática, mostram que a conservação pode caminhar junto com a produção de alimentos, o cuidado com a biodiversidade e a permanência digna das comunidades em seus territórios.


A experiência também questiona modelos de conservação baseados no afastamento dos povos. Proteger os manguezais não significa retirar as comunidades desses espaços, mas garantir direitos, segurança, autonomia econômica e condições para que continuem cuidando dos territórios.


Práticas agroecológicas, pesca e coleta artesanal, cadeias comunitárias de beneficiamento, comercialização justa, turismo de base comunitária e outras economias da sociobiodiversidade podem fortalecer essa permanência.


A gestão comunitária e os modelos de cogestão também são essenciais para reconhecer o conhecimento e o poder de decisão das comunidades sobre os recursos e as regras que afetam seus modos de vida.


Vinculadas à diversidade dos ambientes, aos conhecimentos tradicionais e à gestão coletiva dos bens comuns, essas economias geram mais do que renda. Elas protegem relações sociais, culturas alimentares, conhecimentos ancestrais e modos de vida construídos em profunda conexão com as águas e os manguezais.

 

Mulheres que sustentam e conectam os territórios


O trabalho das mulheres está presente em todas as etapas das economias comunitárias.

A Assembleia da Redmanglar esteve articulada a um processo mais amplo de formação e intercâmbio entre mulheres dos territórios. O encontro no Gran Sinú também marcou o encerramento de um módulo do Diplomado Internacional Latino-Americano “Socioecossistema Marinho e Transformações Civilizatórias”, desenvolvido pela Escola Mulheres Rizomas de Vida, da C-CONDEM.


Participaram mulheres do Equador, da Colômbia, do Peru, do México, da Guatemala e do Brasil. Ao longo do processo, conhecimentos técnicos, pensamento crítico e saberes ancestrais foram conectados a experiências concretas de cuidado e defesa dos territórios.


As atividades incluíram o diálogo com os ABIF desenvolvidos pela ASPROCIG e a construção de propostas participativas para o ordenamento dos maretórios. Os próprios territórios foram compreendidos como espaços de aprendizagem, nos quais a formação acadêmica dialoga com as experiências, as práticas comunitárias e os conhecimentos construídos pelas populações locais.


O trabalho das mulheres está presente em todas as etapas das economias comunitárias: na pesca, na coleta, no processamento dos alimentos, na comercialização, na transmissão dos conhecimentos e na organização política. Apesar disso, permanece frequentemente invisibilizado ou precarizado.


Por essa razão, o manifesto reivindica políticas públicas com perspectiva de gênero, acesso a recursos, direitos trabalhistas e participação efetiva das mulheres nos espaços de decisão. Não como homenagem simbólica, mas como condição para a continuidade da vida nos maretórios.

 

No Brasil, o mangue também tem valor com gente


As lutas articuladas internacionalmente também encontram expressão nos territórios brasileiros. No Brasil, movimentos e organizações como a CONFREM (Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e dos Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos), o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP Brasil e o Conselho Pastoral dos Pescadores - CPP, entre outros, vêm defendendo os territórios pesqueiros, as Reservas Extrativistas, a soberania alimentar e a participação comunitária nas políticas costeiras e marinhas.


O país também conta com instrumentos importantes de pesquisa e política pública. Publicado pelo ICMBio em 2018, o Atlas dos Manguezais do Brasil reuniu informações sobre a distribuição, as condições e as principais ameaças a esses ecossistemas, além de indicar caminhos prioritários para sua conservação.


Em 2024, foi instituído o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil - ProManguezal. O programa estabelece objetivos relacionados à conservação, à recuperação, ao uso sustentável da biodiversidade, à valorização da sociobiodiversidade e ao fortalecimento da resiliência diante das mudanças climáticas.


Na COP30, realizada em Belém em 2025, comunidades extrativistas e organizações costeiras também apresentaram O Grito do Mangue pelo Clima. O documento reúne relatos sobre mudanças nos ciclos das águas, perda de renda e territórios, aumento das temperaturas e impactos sobre a pesca e a coleta, além de reivindicar políticas construídas com participação comunitária.


Essas e outras iniciativas ajudam a ampliar o conhecimento e a presença dos manguezais nas políticas públicas. Mas seu alcance dependerá da capacidade de reconhecer os povos tradicionais não apenas como participantes consultivos, mas como sujeitos políticos com poder real sobre as decisões.

 

Celebrar também é continuar a luta


Celebrar o 26 de julho também significa reconhecer que os povos restauram ecossistemas, produzem alimentos e organizam economias comunitárias.

Celebrar os manguezais é reconhecer sua biodiversidade, sua beleza e sua importância para a regulação climática, a proteção costeira e a produção de alimentos.


Mas o 26 de julho exige mais.


Exige reconhecer a trajetória das comunidades que transformaram a defesa de seus territórios em uma articulação internacional. Exige valorizar o papel de pescadoras e pescadores artesanais, marisqueiras, coletoras e lideranças que mantêm os manguezais vivos. E exige compreender que degradação ambiental, violência, perda de direitos territoriais e financeirização da natureza são dimensões de uma mesma disputa pelos maretórios - territórios costeiros e marinhos vividos e defendidos pelos povos.


Celebrar essa data também significa reconhecer que os povos não apenas resistem. Eles restauram ecossistemas, produzem alimentos, organizam economias comunitárias, transmitem conhecimentos, formam novas lideranças e constroem formas de vida baseadas no cuidado, na reciprocidade e na gestão coletiva.


Os manguezais não precisam apenas de campanhas anuais, metas climáticas ou novos mecanismos de mercado. Precisam de povos e comunidades tradicionais com direitos garantidos, autonomia, participação efetiva nas decisões, territórios protegidos e políticas públicas capazes de fortalecer quem vive, trabalha e cuida desses ecossistemas.

 

O 26 de julho é um dia de celebração, de conservação e de proteção. Mas é, sobretudo, um dia de defesa, memória, denúncia, compromisso, organização coletiva e luta.

Como reafirma a Redmanglar Internacional, outro mundo não é apenas possível: é necessário. E esse mundo é semeado, cuidado e defendido a partir dos manguezais.


Os manguezais não se vendem: são amados e defendidos.


Aprofunde essa reflexão: leia a versão integral em português do Manifesto dos Povos do Manguezal, do Mar, dos Rios e das Margens e acompanhe o carrossel especial no Instagram do Instituto Linha D’Água.



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