Linha D'Água defende desenvolvimento territorial sustentável no debate sobre financiamento climático na SP Climate Week
- comunicacao5558
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No encontro "O Futuro é Azul", Henrique Kefalás, coordenador-executivo do Instituto Linha D'Água, participou de um diálogo sobre como transformar compromissos climáticos em investimentos que alcancem comunidades costeiras, iniciativas locais e soluções baseadas no oceano.

O oceano precisa estar no centro das respostas à emergência climática, e os recursos necessários para transformar compromissos em ações concretas devem chegar a quem vive, trabalha e cuida dos territórios costeiros e marinhos. Essa foi uma das mensagens centrais levadas pelo Instituto Linha D'Água ao evento "O Futuro é Azul: O Oceano no Centro da Ação Climática", realizado em 3 de agosto, na Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP), durante a São Paulo Climate Week 2026.
O encontro reuniu representantes do governo, da ciência, da sociedade civil, de instituições financeiras e do setor privado. Ao longo de um dia de programação, os participantes discutiram a integração do oceano às políticas climáticas, a valorização dos diferentes sistemas de conhecimento, as soluções baseadas na natureza, os caminhos para uma Economia Azul justa e os mecanismos de financiamento voltados ao desenvolvimento territorial sustentável e à resiliência costeira.
O Instituto Linha D'Água esteve representado por seu coordenador-executivo, Henrique Kefalás, no painel "Do discurso ao investimento: financiando soluções baseadas no oceano". A conversa reuniu também representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), Fundação Grupo Boticário e setor privado.
O painel partiu de uma questão decisiva para o avanço da agenda oceano-clima: como transformar compromissos políticos e metas ambientais em recursos efetivamente aplicados nos territórios? As discussões apontaram a necessidade de aproximar financiadores, políticas públicas, organizações da sociedade civil e iniciativas locais, construindo mecanismos capazes de apoiar ações de desenvolvimento territorial sustentável, adaptação climática e conservação nos municípios costeiros.
Na sua fala, o Instituto Linha D'Água defendeu, a partir de sua própria experiência de doze anos de atuação nos territórios costeiros e marinhos, modelos de financiamento que reconheçam as comunidades tradicionais, os povos do mar e a pesca artesanal como protagonistas do desenvolvimento territorial sustentável - não apenas como beneficiários de projetos de conservação.
Para o Instituto, que atua como uma estrutura de retaguarda para organizações comunitárias, enfrentar a crise climática também exige fortalecer a capacidade de gestão financeira e a governança de quem já está no território, garantir direitos, ampliar a participação social e apoiar soluções construídas a partir dos conhecimentos e das prioridades de cada lugar.
Entre 2024 e 2025, esse compromisso teve tradução concreta: o apoio à Cooperpesca no acesso a mercados institucionais via compras públicas e a viabilização do fundo FARSol como instrumento de capital de giro e infraestrutura resultaram em um salto de mais de 50% no investimento do Instituto em pesca artesanal.
O Instituto também está concluindo o white paper SALT-Pesca - Sistema Alimentar Territorializado da Pesca Artesanal -, que propõe tratar a atividade não apenas pela lente da conservação ou da gestão pesqueira, mas como um sistema alimentar de baixíssima pegada ecológica e alta relevância nutricional, com agenda própria de investimento para filantropia, cooperação internacional, política pública e finanças de impacto.
Durante o evento, outros painéis abordaram a relação entre ciência e saberes locais, a proteção de manguezais e áreas marinhas, o Planejamento Espacial Marinho (PEM), a Gestão Costeira Integrada, a energia eólica offshore e os desafios para uma Economia Azul sustentável, equitativa e justa. As discussões reforçaram que novas atividades econômicas não podem avançar sem participação social, proteção dos ecossistemas e repartição justa de seus benefícios.
A programação também evidenciou que as soluções baseadas no oceano precisam combinar resultados ambientais e justiça social. Ecossistemas costeiros saudáveis contribuem para a adaptação às mudanças climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e a manutenção dos modos de vida de comunidades que possuem uma relação histórica, cultural e econômica com o mar.
Promovido pelo Instituto Ambientes em Rede e pelo Instituto Aprender Ecologia, com apoio institucional do Instituto Clima e Sociedade e da Conservação Internacional Brasil, e parceria da FGV, "O Futuro é Azul" consolidou um espaço de articulação entre diferentes setores da sociedade.
Ao participar desse diálogo, o Instituto Linha D'Água reafirma, a partir de sua própria trajetória nos territórios, o compromisso com uma ação climática baseada em direitos humanos e capaz de transformar compromissos em desenvolvimento territorial sustentável para quem vive nos territórios costeiros e marinhos. Colocar o oceano no centro das decisões também significa garantir que financiamento, políticas públicas e oportunidades cheguem a quem sustenta, todos os dias, a vida - e a economia - desses territórios.

Conexões que transformam e aceleram a ação climática
A SP Climate Week 2026, realizada entre os dias 3 e 07 de agosto de 2026, encerrou sua edição mais recente consolidando-se como um marco essencial na mobilização pela sustentabilidade e pelo avanço da agenda climática. O evento reuniu diversos setores da sociedade em um esforço colaborativo para transformar debates cruciais em ações práticas e de impacto duradouro.
O sucesso da iniciativa é refletido em números expressivos que demonstram sua capilaridade e poder de articulação: foram mais de 300 encontros realizados, 250 organizações mobilizadas, 30 hubs integrados e a participação de mais de 30 mil pessoas. Com o encerramento deste ciclo, o evento já mira o futuro e confirmou sua próxima edição para o período de 16 a 20 de agosto de 2027.





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